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Blog Oncotek

Dica de livro - "Anticâncer: Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais"

28 de agosto de 2017

Qual seria a reação de uma pessoa que, após anos de dedicação para a conclusão de sua formação, se deparasse com o diagnóstico de uma doença com expectativa de vida média de 1 ano? Qual caminho seguir? Entregar os pontos? Na verdade existe alguma opção?

Essa foi a pergunta que um jovem teve de responder aos 31 anos de idade. Após anos de estudos exaustivos para a formação em medicina, especializações e pós-graduações subsequentes, David Servan-Schreiber foi diagnosticado com um tumor agressivo no cérebro. Sua descoberta ocorreu por acaso quando serviu de voluntário para o teste de um aparelho de ressonância magnética em um estudo que ele mesmo conduzia na Universidade de Pittsburgh.

Inicialmente sua reação foi a mesma que encontramos em pacientes leigos que enfrentam o diagnóstico de uma doença grave: tristeza, desânimo, a sensação da perda do controle sobre sua vida e planos em um momento tão importante. Iniciou o tratamento e consultas, mas sempre uma questão primordial incomodava, quando perguntava para seus colegas de profissão sobre o que poderia fazer para colaborar com seu tratamento a resposta vinha como um discurso rígido e como se falado por uma máquina: “Não há nada que você possa fazer no momento, apenas seguir estritamente o tratamento e rotina de exames.” A sensação de não poder fazer nada, perda de protagonismo diante de algo que lhe ameaçava a vida incomodava. Estamos falando de alguém que até então era o total protagonista de sua vida e de diversos pacientes e naquele momento se via nas mãos daqueles que até então eram apenas colegas de profissão.

Em vez de apenas se render aos cuidados dos profissionais, David tomou uma postura diferente que, segundo seus relatos, o ajudou a se tornar de novo protagonista sobre sua vida e doença. Usou todos os seus conhecimentos científicos para estudar novas formas de tentar ajudar seu corpo a enfrentar a doença e viver de forma mais plena. Para isso, recorreu a artigos de nutrição, educação física, medicina oriental e diversas outras fontes.

O livro Anticâncer, de sua autoria, é o relato dessa busca e nos apresenta os resultados obtidos. Adquirindo um hábito de vida mais saudável, com alimentação regrada, atividades físicas e práticas complementares como Meditação, David conseguiu algo difícil de se encontrar no campo da oncologia, um aumento de sobrevida de 18 anos. Infelizmente David veio a falecer em decorrência da doença, mas seu livro traz opções de hábitos que podem complementar o tratamento convencional e de certa forma melhorar a qualidade de vida de diversos pacientes na mesma situação. O fato de ter falecido pelo câncer não traz descrédito ao seu trabalho.

É importante salientar que não se deve tomar as condutas orientadas no livro como a salvação para todo o câncer em detrimento do tratamento quimioterápico convencional, muitas de suas afirmações ainda carecem de comprovação científica robusta. A grande questão que devemos considerar é a de que muitas vezes não temos tempo para aguardar a comprovação científica para tudo que é considerado saudável e que observamos empiricamente em nosso dia a dia. No final o paciente com câncer necessita sempre se perguntar antes de mudar algum hábito, se tal conduta pode prejudicar o tratamento que já é conhecido e sabidamente eficaz, claro que com ajuda de algum profissional habilitado (oncologista, nutricionista, educador físico, psicólogo, entre outros…).

O grande ensinamento de seu livro é a de que todo paciente deve ter a postura de usar o câncer com um incentivo para mudança de hábitos e rotinas não saudáveis. Mesmo que ainda não possamos comprovar cientificamente que tais mudanças podem aumentar sua sobrevida, podemos observar facilmente que tal comportamento faz o paciente viver com mais qualidade de vida e de forma mais plena. Para finalizar retiro trecho do livro que resume sua grande lição: “Se tudo que fiz para ajudar a mim mesmo não me fez viver mais tempo, certamente me fez viver mais profundamente.” (Palavras de um paciente que realizou as condutas adotadas no livro).

Gabriel Machado Leite,
Médico Oncologista – Grupo Oncotek

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