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Blog Oncotek

Imunoterapia é a grande aposta no tratamento do câncer

20 de junho de 2017

Um dos principais desafios da oncologia é proporcionar qualidade de vida ao paciente em tratamento de câncer. Para isso, vários estudos vêm buscando opções para aliar eficácia e redução dos efeitos colaterais. Um dos mais importantes avanços nessa área é a imunoterapia.

Respostas animadoras e baixa agressividade ao organismo a colocam como o futuro da forma de se tratar esta doença. Fazendo o caminho inverso da quimioterapia, que mata as células malignas e acabam atingindo as saudáveis também, ela recorre ao organismo para vencer o problema.

O que é?

A Imunoterapia nada mais é do que utilizar a imunidade do paciente para atacar o tumor. Há mais de 100 anos, a técnica vem sendo testada com a utilização de bactérias e vacinas com células do próprio câncer. Porém, essas terapias inespecíficas ativavam o sistema imunológico como um todo, o que levava a resultados inconstantes.

Recentemente, foi descoberto que o sistema imunológico possui freios para evitar seu funcionamento em excesso e o ataque de células normais do corpo. Essa foi a chave para a evolução do tratamento. Como o organismo não ativa o mecanismo de defesa para as células do câncer, na nova etapa da imunoterapia, foi encontrada uma forma de eliminar esses freios e fazer com que as células do sistema imune conseguissem “ver” os tumores para atacá-los especificamente.
Como funciona

O câncer possui um mecanismo para evitar sua detecção e posterior destruição pelo sistema imunológico. As células tumorais produzem uma proteína, a PD-L1, que se localiza na superfície da célula neoplásica e se liga aos receptores PD-1 das células de defesa do organismo, impedindo que o sistema imunológico ataque o tumor. Estes receptores são conhecidos como checkpoints. Esse processo impede que esses checkpoints emitam um sinal que daria sequência à resposta da imunidade. Desta forma, é como se o tumor fosse invisível aos sistemas de proteção do corpo.

Os medicamentos utilizados recentemente na imunoterapia, os inibidores de checkpoints, utilizam anticorpos que fazem a quebra dessa ligação. Eles permitem o bloqueio do receptor PD-1, impedindo que as células do sistema imunológico sejam desligadas e devolvendo a elas a capacidade de reagir contra as células doentes.

Como age a imunoterapia

Vantagens

O principal ponto positivo do tratamento é a baixa toxicidade.

“Hoje nós vemos pacientes com metástase manter sua qualidade de vida. Além disso, as respostas são mais duradouras. A quimioterapia normalmente mantém seus efeitos por cerca de seis meses, quando é necessário trocar o medicamento, já a imunoterapia dura por um tempo maior, chegando a até dois anos apresentando pouco risco ao organismo”,

Dr. Eduardo Johnson- Oncologista

Há também a vantagem da independência entre os tratamentos. Se o organismo do paciente já apresenta resistência aos medicamentos da quimioterapia, isso não é transferido para a imunoterapia. Estudos recentes mostram que a combinação de quimioterapia com imunoterapia pode ser uma excelente opção.

Por que é uma boa opção?

Diante de resultados positivos para diversos tipos de câncer, em 2016, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica considerou a técnica como a mais promissora forma de tratamento.

“Nos últimos anos, foi observado grande resposta nos pacientes. A imunoterapia se mostrou eficiente em mais de 80% dos casos de melanoma metastático, enquanto a abordagem tradicional era responsável por apenas 15%”, relata o oncologista.

Além do melanoma, pacientes portadores de outros tipos de tumores se beneficiaram com o tratamento, como o de pulmão, rim, linfoma de Hodgkin e bexiga. No caso da Oncotek, foi utilizada em casos de câncer de pulmão e melanoma.

“Tivemos pacientes aqui tratados com a imunoterapia em fase avançada da doença. Eles já tinham passado por duas linhas de quimioterapia e, surpreendentemente, começaram a dar respostas, o que, dificilmente, aconteceria com uma nova tentativa de quimioterapia”, explica o médico da Oncotek.

Para o futuro, a expectativas são ainda melhores. Os estudos nesta área estão avançando com a observação de vários pacientes, e as indicações se ampliam a cada momento.

“Em breve, os especialistas vão poder recorrer à técnica em mais casos, mais precocemente e até antes da quimioterapia”, completa Eduardo.

No último congresso da Asco, no início de junho de 2017, foram apresentados resultados promissores em diversos tipos de câncer, entre eles o câncer de mama triplo negativo, câncer gastrointestinal com instabilidade microsatélite e até casos de difícil tratamento como metástase cerebral de melanoma e sarcomas.

Efeitos colaterais e tratamento

Os efeitos colaterais costumam ser de leve intensidade e são diferentes dos já conhecidos. Pode-se observar colite, hepatite, tireoidite e outras formas de reação autoimune. Elas aparecem cerca de dois meses após o início do tratamento e em apenas entre 10% e 15% dos casos. São tratadas com corticóides, que apresentam alta eficácia, e, caso o resultado não seja o esperado, recomenda-se a troca do medicamento ou até a suspensão do tratamento. Frequentemente esses problemas não apresentam sintomas e são detectados apenas por exame de sangue.

Por serem anticorpos monoclonais, as aplicações são feitas apenas por via venosa. A frequência vai depender de cada protocolo, com intervalos de duas ou três semanas. Pode ser feita a associação entre mais de um de medicamento e já se estuda a combinação entre imunoterapia e quimioterapia. Existem medicamentos liberados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e, portanto, cobertos pelos planos de saúde.

Converse com o seu oncologista

Embora os tipos de cânceres tratáveis com imunoterapia já sejam vários, é fundamental conversar com o oncologista, que pode avaliar melhor cada caso. Também é possível encontrar informações sobre os medicamentos na internet para se esclarecer melhor.

Remodal