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Por que os homens morrem antes das mulheres? Uma reflexão durante o Novembro Azul

24 de novembro de 2017

Estudos estatísticos apontam que os homens morrem em média 5 anos antes do que as mulheres. Tal dado não impressiona quando analisamos a faixa etária de adultos jovens ou adolescentes, o senso comum até explica essa questão: sabemos que o homem nessa idade está mais propenso a riscos e excessos. Porém, quando analisamos em idades mais avançadas a média maior de mortalidade entre homens permanece e aí vem a pergunta: Qual seria o motivo de homens morrerem em idade menor que as mulheres?

Um estudo conduzido na Universidade de Rutgers nos Estados Unidos procurou responder esse fato curioso. Publicado na revista Preventive Medicine e The Journal of Health Psychology, os pesquisadores observaram que, após entrevista com um total de 500 homens, quanto maior a autoestima e mais ainda o senso de masculinidade – que o homem deve ser forte, corajoso e autossuficiente – menor a procura por assistência médica e menor a preocupação com problemas de saúde.

Ao mesmo tempo, observou-se que esse grupo de pessoas procuram mais médicos do sexo masculino e, paradoxalmente, estão mais propensos a omitir e até diminuir seus sintomas ou dados na hora da consulta. A conclusão é de que uma das possíveis causas para a maior mortalidade de homens em idades menores em comparação com as mulheres é justamente tal comportamento, o sentimento de masculinidade associado a uma autoestima elevada e de autossuficiência impede os homens de procurar ajuda ou se sentirem basicamente humanos.

A campanha conhecida hoje como Novembro Azul surgiu a partir de um a reunião entre amigos que decidiram angariar fundos para instituições de caridade que visavam principalmente estimular a saúde masculina. Para isso combinaram que todos deixariam o bigode crescer durante o mês de novembro que, por coincidência, era o mês em que também ocorria o dia mundial de combate ao câncer de próstata. A campanha iniciou-se na Austrália e foi um sucesso, em pouco tempo ganhou corpo, se difundiu pelo mundo inteiro e hoje em quase todos os países do mundo se fala sobre o Novembro Azul.

Sabemos que o câncer de próstata é o tumor mais comum nos homens, após o câncer de pele não melanoma, possui uma incidência crescente de acordo com a idade e é a sexta maior causa de mortalidade entre os cânceres. Quando descoberto ainda localizado é perfeitamente curável e maiores são as chances de sucesso terapêutico, sem efeitos colaterais como impotência ou incontinência urinária.

A grande dificuldade encontrada e observada por nós médicos para o rastreamento e tratamento precoce, além da falta de acesso em regiões mais pobres, é a resistência dos homens em realizar o toque retal, que é um exame essencial de rastreamento com duração média de 5 a 10 segundos. Voltamos a citar aqui que o sentimento de masculinidade que seria ferido ao se manipular área tão sagrada e intocável nos homens faz com que grande parte dleles evitem consulta com seu médico a partir dos 50 anos de idade. Assim, percebemos novamente que os dados observados no estudo aqui citado corrobora o que se vive no dia a dia dos consultórios.

Como homem e vivendo ainda numa sociedade masculinizada e cheia de preconceitos, concordo que não é fácil se colocar em uma posição de vulnerabilidade total para alguém estranho e, mais ainda, expor uma área íntima tão “preciosa” para se evitar uma possibilidade de doença. O argumento que nem todos morrem de câncer e que às vezes é melhor jogar com a sorte é muito forte e difícil de contra-argumentar.

Porém, se fizermos uma reflexão mais tranquila e racional, considerando os riscos de impotência e incontinência urinária em casos de tumores mais avançados, não seria difícil concluir que um exame tão curto pode prevenir na verdade o maior exemplo real da masculinidade: a capacidade de manter relações sexuais por mais tempo e de não ter que usar uma fralda como uma criança. Paradoxalmente, o toque retal e os exames preventivos nos ajuda a manter nossa autoestima e masculinidade elevadas por mais tempo, permitindo o uso de nossas potencialidades enquanto vivos.

No final, o que a população masculina precisa entender é que os programas de rastreamento estão aí para ajudar, não só aumentando o tempo de vida, mas também a qualidade de vida de todos. No mês do Novembro Azul, espero que possamos quebrar velhos paradigmas e reconhecer o que de fato nos ajuda a manter nossa masculinidade e autoestima elevada por mais tempo.

Fontes:
Himmelstein M. S. Sanchez D. T.. Masculinity in the doctor’s office: Masculinity, gendered doctor preference and doctor–patient communication. Preventive Medicine Volume 84, March 2016, Pages 34-40.
Himmelstein M. S. ; Sanchez D. T. . Masculinity impediments: Internalized masculinity contributes to healthcare avoidance in men and women. Journal of Health Psychology. Vol 21, Issue 7, 2016.
www.inca.gov.br/

 

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